sexta-feira, 20 de novembro de 2009


Um homem partido ao meio na linha do metrô,
outro caido no abismo do oitavo andar.
E o que é morrer quando a vida já não faz mais sentido?

terça-feira, 13 de outubro de 2009


encontrei paz
a luz do sol nasceu
e a do poste se apagou
o sono se foi
- ficou o sonho
terei de espremer
pro sono voltar
e na aurora dormir
fecho os olhos
de tão claro dia
o sol acorda
então eu durmo

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Extra ordinário


Mar quebra na beira da praia e deixa casal de namorados ferido

Hoje pela manhã uma forte onda se abateu sobre a areia da praia de Copacabana deixando um casal de jovens ferido. A causa do acidente ainda não foi divulgada, mas testemunhas dizem que o casal caminhava com bastante euforia e despreocupado pela praia quando o mar se enfureceu. Eles dizem que os dois haviam encontrado um pedaço de galho na areia e com ele fizeram algumas marcas no chão. Foi nesse momento que o mar invadiu a orla e molhou os pés dos apaixonados, apagando o que haviam escrito e deixando o coração dos dois partido ao meio. Logo uma grande quantidade de curiosos se aglomerou no local para saber notícias do ocorrido. Alguns dizem que a causa do acidente foi ciúmes da parte do acusado, outros afirmam que tudo não passou de uma grande coincidência e que o ocorrido é muito comum nessa época do ano. Dizem também que todo o alvoroço se deve ao fato do casal ser de classe média alta e o ocorrido ter sido localizado em praia nobre da cidade. O fato é que o jovem casal ficou numa situação muito grave. O rapaz permanece calado, sem querer dar declarações, já a moça, aos prantos, diz que quer o seu coração de volta. A polícia procura vestígios no local a fim de iniciar as investigações, mas parece que o acusado abandonou o local apagando as poucas marcas que ainda sobraram do atentado. Com isso, o fugitivo poderá ser autuado pelos crimes de adulteração da cena do crime e omissão de socorro. As pessoas ainda estão perplexas com a notícia, mas como em tantos outros crimes conhecidos, a expectativa é que as pessoas esqueçam o ocorrido e logo retomem suas atividades. Muitos ainda relutam mas já podemos perceber algumas pessoas indo banhar-se nas àguas límpidas e claras da impunidade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009


barulho
e o fogo pega
e o corpo queima
e a casa esplode
fogo, fogo, fogo
grita a vizinha desesperada
escombro escombro escombro
a casa virada em nada
dano
barulho barulho
bombeiros carros polícia
helicóptero e a imagem dos corpos
entrevistas de lágrimas
onde não foi chamado
imprensa imprensa imprensa
a tv flagrou as tábuas e as lágrima caindo
e a sensação é que não existiu pior no mundo
enquanto isso o povo pobre e rico ri,
procurando qual vai ser a próxima vítima
a deixar de ser íntima na mão deles:
parasitas

quarta-feira, 23 de setembro de 2009


transtornos
transportados
transplantados
para a planta dos pés
para a planta da cidade
pára a cidade
fila e mais fila
fila na entrada do metrô
fila na catraca
fila no ônibus
fila no final

do trem
da gente que vai e vem
dos carros que vem e vão
sem vir nem ir
afunila o
funil e
fio
do fim
cai chuva em fios
cai moto no meio fio
automóveis morrem
e no meio de tudo
um marginal canta
a beleza de todas as luzes
de todas as danças
de todos os carros parados
atônitos
de olhos abertos
olho amarelo,
olho vermelho
cinal aberto
paralizados
por não ter mais
pra onde ir

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Matisse disse:


o que exponho em pincel
coloques no papel:
a vida alegria
tom amarelo
roda vida
verdeazul

e laranja
numa dança
onde corpos
clássico traço
são todos braços
pintado no encontro
de selvagens: coração




pego-te pela ponta dos dedos,
pelas pétalas
despétala a voar
e a mão detecta o néctar
desabrocha
caindo-te-me sobre a palma:
esperma d'alma
nascemos de nós mesmos
flor e dedos
amados, amados, amados medos

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Você está...


nos pelos perdidos em meu lençol
nas suas roupas no varal
no emaranhado do corpo: suor
no cheiro do sal

e na última gota do gozo do nosso amor

sol e chuva
suas curvas
estada

Sol e chuva
sonhos e curvas
estrada

Garrincha

no jogo
passa a bola
gira

fica pra trás
e volta
e fica pra lá

zigue zagueiro
pelo meio das pernas trança
lembrança de linha torta

linha do passe
Macumba de bola no pé
Mané

Passa João
passa a bola.

Só é Mané quem não é

de gol em gol
de passe em passe
no drible o passe

Com corpo fechado
bola enfaixada no pé
magia de mané

É! E Elza que te segure!!!

querer viver
é escrever
sem ler
viver
é ex-
crer:
ver

quinta-feira, 10 de setembro de 2009


Orquídea me deu a ideia
de enganar abelha, passarinho,

com baldes de cores e amores
enchi de sabores meu ninho!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

limpa com jornal


jornalismo:
é um ismo
que enoja

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Chineses confiam mais em prostitutas que em políticos
enquanto isso mães morrem vítimas de espirro
escolas e universidades não funcionam mais por conta disto
presidente do senado é acusado de absolvição
e a família continua dona do estado.

Os chineses é que estão certos
usam o seu feng shui
e suas mulheres gostosas
sem preconceito mesmo
elas e o feng shui servem muito bem ao bem comum
e afinal de contas,
com uma boa grana no bolso
quem é que precisa de votos?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Clichê


Vamos parar de cagar
porque isso ficou piegas
Vamos parar de mijar
porque isso agora é clichê
Não vamos escovar os dentes
Não vamos tomar nossos banhos
Não vemos a vida na frente
Cabou, já morreu nosso sonho
Não vamos escovar os dentes
Não vamos tomar nossos banhos
Não vemos a vida na frente
Cabou já morreu nosso sonho
vamos parar de mijar
porque isso agora é piegas
vamos parar de cagar
porque já fedeu nossas merdas

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Amélia ou Amelie?


era mulher
passava fome ao meu lado
virou homem
e hoje distribui suas riquezas sexuais
para mulheres solitárias como eu...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

No jornal


reitora ataca estudantes com bomba de efeito moral
polícia reage a perguntas com esprei de pimenta
estudante cai
e Governador diz que cumpre vontade de Juiz e da Reitora

argumentos do governador:

vivemos numa democracia
temos que evitar arruaça
a polícia deve manter a ordem

Se os jornais não fossem sensacionalistas logo se veria a seguinte manchete:

Democracia presidencialista do estado é comandada por Reitora de Universidade

Ao justificar o uso de força policial sobre manifestantes, governador afirma que obedece a ordens de Juiz de Direito e da Reitora de Universidade.


Com essa matéria nas bancas veríamos a verdadeira face do goverTADOR

corre atrás da bola
e esquece da vida
volta pra vida
e esquece que o mundo é uma bola

terça-feira, 19 de maio de 2009

Suzane, os cães, o gato e os passarinhos






Na TV:

"O comportamento violento é algo imprevisível"

e após essa frase fecha-se a grade do camburão onde se encontra, de costas, a estudante de direito que, em silêncio, encomendou e comandou o assassinato dos próprios pais; executado pelo prórprio namorado; na segurança do próprio lar e com o próprio travesseiro dos pais; em sua própria cama.

Cães ladram o tempo todo, agarrados por curtas correntes à parede de suas casas, meu gato, inquieto por sair de casa, mia incessantemente ao ouvir o canto dos passarinhos do vizinho de cima, e estes cedem a liberdade de suas asas para o ouvido de toda a vizinhança, numa tentativa de quebrar as grades da gaiola com o vibrar de suas cordas vocais.

Os cães não correm nas ruas, o gato não pula os telhados, passarinho não voa e a menina de classe alta não coça mais.

Costura roupas para outros presos e carcereiros, lava o chão da cadeia, ajuda na cozinha do presídio e nas horas vagas dá aulas de inglês para companheiras de outras celas. Vive pros outros a vida que mamãe e papai nunca desejaram, como não desejavam aquele namoro tão nefasto.

Disso tudo tiro duas conclusões:

O comportamento violento é sim algo previsível. Nos animais presos e nos homens soltos.

e

Os filhos nunca realizam os desejos de seus pais.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ta tu ages


Tá, tu ages,
se te arrependes da ação
quem (a)paga?

punho fechado e em aste
violência bruta
ou botão que brota?

vazio v


vazio no céu
prótons, elétrons, neutrons o átomo
nada ou energia, nihil ou Deus
a velha história do copo pela metade
a vantagem de se estar
por baixo é o que se
vê por debaixo

vazio iv


idéia, nem zen
nem jeito nem dentro
nem gente no peito tem

vazio iii


planeta e planeta
___átomo e átomo
entre eu e outro: oco

vazio ii



o vazio que Deus
ocupa oculta
este vazio infinito

vazio i


vazio no espaço:
no peito de aço
só cabe um Deus ou átomo

segunda-feira, 4 de maio de 2009


a chuva só fala água
a mata só fala vento
o mar di a l @g ar

sábado, 18 de abril de 2009

O sonho ( ou O ouro do nariz)


“em São Paulo, Deus é uma nota de cem”
Mano Brown

A mulher, que corria o dia atrás de dinheiro para sustentar os filhos, mostrou-se indignada com o namorado, que cheio de ciúmes e medo de perdê-la monitorava os seus passos através de perguntas capciosas e cheias de duplos sentidos.
A primeira das perguntas dizia respeito ao melhor amigo da mulher, que segundo ela dizia, era uma ótima pessoa. Um homem de cinqüenta e poucos anos, bem de vida, com carros e casas espalhados por toda a cidade e litoral e que de vez em quando a convidava para jantar. Convites estes que ela estava sempre disposta a aceitar.
Para o jovem rapaz, professor de línguas, não havia problemas em sua namorada, treze anos mais velha, ter um amigo rico, com mais idade e que demonstrava grande afeto por ela e seus filhos. O que não estava certo era o fato de os dois saírem para jantar em restaurantes chiques, os quais ele nunca poderia pagar.
Vê-la falar das grandes conquistas daquele homem mais vivido; ouvir seus planos em alugar uma das casas do amigo por um módico preço ou ouvir que aquele homem, quase desconhecido, se dispunha a fazer aulas de dança com a sua bem amada, posto que ele também, jovem e com poucas experiências emocionantes em sua vida, também gostaria de aprender a dançar, o faziam perder o controle de suas palavras, e logo vinham as perguntas maliciosas e cheias de pressupostos.
Afora isso, os olhares e ouvidos ciumentos do rapaz ouviam e viam o que queriam ver e ouvir e não entendiam aquela amizade sincera de que sua amada tanto falava. Talvez a amizade fosse até compreendia, posto que em seus contatos pelo computador o rapaz tivesse diversas amigas de verdade, que o compreendiam que o conheciam e que também estavam dispostas a jantar ou ir a bares com ele e nesses bares aprender a dançar e tornar a amizade ainda mais próxima.
Não encontrando solução para o impasse se sua vida o jovem sonhava com o dia em que poderia viver com a amada em uma casa só deles e compartilhar de uma vida toda em comum, onde não haveria, segundo ele pensava, nenhuma discórdia com relação às questões financeiras, já que seriam uma só carne e uma só conta bancária.
A solução para este problema começou a se desenhar quando o jovem teve um sonho inesperado.
Depois de vários pesadelos kafkanianos, em prisões e corredores escuros dos quais ele não conseguia fugir e dos quais acordava sempre com perda de fôlego, naquela noite o rapaz teve a realização que precisava.
Semanas antes, por sofrer de um resfriado intenso, acabara por deixar do lado esquerdo da cama um rolo de papel higiênico, do qual sempre se utilizava no meio da noite quando sentia alguns líquidos quentes escorrerem de suas narinas ou quando, irritado, não conseguia respirar o pouco de ar poluído que entrava pelas janelas semi-cerradas do seu quarto quente. Esse ar, apesar de poluído pelos carros da cidade e pelas fábricas da redondeza, ainda era um ar respirável e trazia uma sensação muito melhor do que aquela sensação horrível causada pela falta do mesmo.
No rádio um disco do Ney Matogrosso lembrando o que dizia sua avó e na cabeça as milhares de coisas que ouvira e falara para sua amada naquela semana de mais uma briga e separação. A preocupação com a gripe-febre-resfriado que ameaçava retornar e as preocupações com os dois empregos que demoravam a chegar e que seriam a salvação daquele relacionamento também eram presentes em sua mente.
No entanto, naquela noite, o rapaz não acordara com o incômodo dos líquidos e catarros em seu nariz, nem com o calor proveniente de seu cômodo semi-cerrado. Ao contrário, no seu sonho, enquanto caminhava em direção à casa da amada, recebendo um forte sol sobre sua cabeça, uma forte crise de espirros o acometeu, deixando-o incapaz de observar o caminho a sua frente. Enquanto os olhos lacrimejavam e o caminho ficava cada vez mais claro e pouco nítido, iam surgindo nas suas narinas pequenas pedras duras e arredondadas, que não incomodavam as narinas nem tapavam a passagem de ar, apesar de ocuparem toda a fossa nasal. Eram pequenas pedras arroxeadas em formato de gotas, como aquelas bijuterias que tanto presenciara nos colares e brincos das barracas de camelôs que sempre via em suas caminhadas pelo centrinho de seu bairro ou do bairro da amada. Pedras estas que ele sempre teve vontade de presenteá-la, mas nunca teve coragem de comprar, pois sabia que seriam logo largadas num fundo de porta jóias e substituídas pelas jóias caras que, presumia ele, o famoso amigo da amada a teria presenteado em tempos passados (ou quiçá presentes). Nesse desespero de livrar o nariz daqueles objetos que não o pertenciam o rapaz se esqueceu do caminho que percorria, se esqueceu da gripe ou das lágrimas nos olhos e simplesmente tentava entender como poderiam tantas pedras sair do seu nariz sem causar-lhe qualquer mal. Pelo contrário, elas davam-lhe alívio, prazer e até certa alegria. Não porque o rapaz já soubesse do valor comercial que tinha cada uma delas, ou como poderia ficar famoso quando soubessem que sem esforço ou arte alguma, ele, pobre-homem-professor, poderia se tornar aquele poeta federal dos seus livros, que tirava o seu “ouro” do nariz.
Nada disso!
O que o agradava era aquela sensação incrivelmente maravilhosa de sentir pequenas formas arredondadas roçarem-lhe a pele do rosto desde as parte mais internas e mucosas até atingirem, de forma lúdica, a espessa penugem que trazia em seu buço preto.
Qual foi sua alegria quando suas mãos se viram cheias de pedras preciosas, todas limpas e brilhantes, cintilantes, únicas, todas advindas de uma fonte imprecisa, ou precisamente, apontando-lhe onde habitava, até aquele momento escondida, a fonte de todas as suas riquezas.
Desesperadamente esperançoso e cheio de uma revolta contente o rapaz correu em direção ao bairro da amada, ainda com os olhos nadando em lágrimas, menos pela irritação e mais pelo entusiasmo, para mostrar a ela a novidade. No meio do caminho, porém, uma outra idéia lhe passou pela frente, com o ônibus que atravessava o cruzamento, era uma propaganda de um filme americano, onde um casal encostava testa com testa e ao fundo de seus rostos, como que em marca d’água o mesmo casal dançava em ambiente festivo. Era o que iria fazer, montar uma festa bem grande no melhor restaurante da cidade, convidaria a todos os colegas, à imprensa, o amigo da amada e, é claro, ela. E após uma primeira dança desengonçada e mal-feita, mostraria ao mundo seu segredo, multiplicaria sua fortuna por mil e ainda reconquistaria sua amada.
As pessoas com certeza estranhariam um convite tão inusitado vindo de um pobre-homem-professor, depois achariam engraçadíssimo ver um casal que mal sabe trocar os passos num dois pra lá e dois pra cá, porém, após a revelação bombástica, ninguém repararia nessas trivialidades. As mulheres ficariam encantadas com o romantismo do evento e os homens sentiriam a mesma inveja que o jovem sentia pelo seu rival mais rico, mais velho e cheio de experiências. Ninguém poderia falar mais nada dele, pois era ele quem teria o dinheiro, a fama e as experiências mais inusitadas.
Após essa reflexão o jovem se viu em casa, sentado diante do telefone, com uma caneta e papel a sua frente e os mais diversos cartões de festas sobre a mesa a fim de selecionar o salão de festas, Buffet, convidados e etc. Quanto mais ele se empolgava pensando nos preparativos, mais pedras saiam de seu nariz e mais difícil ficava bolar o plano minucioso e os preparativos para o grande dia. O sonho de conquistas e vitórias o tomava, como a gripe–febre-resfriado o tomara na semana anterior, impedindo-o de tomar as decisões que precisava tomar, como era impedido de entrar o comprimido pela boca que espirrava. Mas isso não o entristecia, pelo contrário, a sensação de bem estar que a riqueza lhe dava era quase infinita. Não pensava mais na amada, no amigo da amada (seu rival), nem no que poderia fazer com tanta riqueza e com tanta fama. Só sentia aquela sensação única, aquele orgasmo nasal, aquela coceirinha.
Acordou ensopado de suor, os olhos esbugalhados de felicidade e as calças sujas do líquido branco de seu pênis. O telefone barulha, as mãos derrubam o papel higiênico e a amada diz que os dois precisam conversar.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Imag-in-ação


Parado
num canto da cidade vi
o peito triste de um homem só

Apaixonado

li
nos olhos
deste homem
triste
as imagens
os espelhos
uma loja de retratos

Aquebrantados

os olhos
Revelavam
a mim
Revelar
vão-me
a Ele
Revelar-me
a mim mesmo
que não revelo a ninguém
o nada de que eu era
e que ainda relevo
se ainda sou

verdade das vaidades:
somos feitiche
um para o outro

dEUs (hai-quase)


-------Deus e eu
entusiasta e melancólica
---imagem e semelhança

o mar



o mar é o artifício sublime do céu
é o espelho de uma outra realidade
a medida que contorna os mundos
é um sonho sonhado por Deus quando moço
o mar é isso, aquilo e todo o resto.

Visa


a mulher que paga
o que não tem preço

O fiel


Certa noite em sonho
o próprio Deus veio até mim e disse:
- o que queres de mim? podes pedir que eu dou-te!!!
eu disse:
- quero tudo, meu senhor, tudo o possível!!!
- então toma - respondeu-me o homem com a cara mais honesta do mundo.
Feliz de ter recebido TUDO QUE PEDI A DEUS, ouvi ele falar:
- agora me dá o teu...
e eu disse:
- o meu não, senhor, o meu não!!!!!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Clube da esquina


Brant Borges Nascimento
7 de setembro
da liberdade
3 pontas,
a voz que passa é de Deus
uma bituca jogada
na esquina da pólis divina
com o paraíso

Pai nosso


seja na terra como no céu
perdoai nossas dívidas
pois as deles
(pastor e igreja)
é moral e não se cobra

terça-feira, 17 de março de 2009

que não chega

uma rua atravessa na pressa de entregar uma recordação
na mesma rua leva, também com pressa, passageiros
apreensiva de seu prédio calada e "calma" a mulher aguarda um presente
que nunca chega

mesmo tema

Com flores nas mãos a rua atravessa
Com pressa e apreensão carrega passageiros
Com ilusão se apressa, espera e nega
na multidão
Com solidão e silêncio termina essa história
Com flores e sangue no chão,
cabeça em baixo das mãos
água nos olhos de todos
e corações apressados que se calam

Olha,
a vida passa na sacada
e debaixo dela a briga de casal é uma constante
é cravo e é rosa

arrasada e mal amada
ela reclama o grande amor que ele não deu

ele finge uma overdose de seus gritos
e lento e devagar, abre seus olhos em lágrima

olho no céu, parado,
no infinito de sua culpa
ela é morta

pétala com pétala: um beijo
fúnebre
e um cheiro de rosa no ar

cravo enfeita defunto
rosa é o amor da viúva
como cheiro frio e desfeito
que se dissolve

Era uma vez uma flor...

Descartes


Às vezes eu confundo o dia inteiro com o que vai adiante, o dianteiro, e aí passo horas filosofando sobre coisas que acontecerão no futuro. E me sinto inteligente, e me acho inteligente. Para o bem ou para mal, inteligente eu sou... inteligente...
Ridícula acertiva de um Matemático que um dia disse que pensar era o mesmo que existir. Grande bobagem, como confundir duas palavras tão distintas: uma tão pura com outra tão presunçosa e mesquinha.

sexta-feira, 13 de março de 2009

amargo doce


corta o coração esse teu jeito
navalha de um beijo que parte
leva o doce amargo quando é longe
e amargo é hoje
pode esquecer aquele amor de não
não dá mais pé
a àgua afunda um coração de pedra
e dói até que fure
mas há de ser assim
barco a navegar
cavalgar do vento em sete de setembro
tempo alheio a nós dois
mas esses dois serei só eu
bebo meu café na sala
cheio de espuma
do mar, do ar, do seu estar sobre as águas
então mergulho
mais fundo
mais fundo
mais

Desencontro


- Contaram que a gente era ruim e eu disse não...
- Me faz acreditar então na falsidade...
- Sempre quis aquele carro conversível e ir pras laranjeiras ver jogar o flu...
- Meu filme era mais simples mas mais real. A ilusão nos toma às vezes, não é culpa sua.
- Escrevi teu nome no macarrão, comprei aquela roupa que você nunca usou e sempre gostei do seu sapato...
- Mas meu coração só queria a festa, a praia deserta, a gente brincando de se esconder do tempo...
- Eu fui feliz!
- Muito bem!!! Hoje conheço lugares de nunca. Estou jovem. De certa forma as pessoas estão sempre mais certas que a gente.
- Que dizem de mim?
- Mandaram-me viver de mim mesma. Eles são os que sempre tem razão...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Carta


Minha amada,
grave bem o que estou dizendo, quanto mais grave fica a situação mais grave fica a voz da oposição.
Só seus braços finos, a sua voz fina e suave e seu jeito fino podem me suavizar.
Te aguardo agudamente.

no apartamento...


No apartamento ao lado ouço som de gritos e gemidos
no bloco da esquerda uma conversa de fofoqueiras
na direita conversas sobre futebol e a função no bairro
na quadra ao lado sons de foguetório
e no outro bairro, lá longe, não se escuta nada
acho que naquele bairro existam pessoas felizes
digo, consigo mesmas, que não se importam com a vida dos outros
pessoas que vivem de verdade.
Quando eu namorava...
Quando eu jogava futebol...
Quando eu falava da vida alheia...
acho que...
eu nem morava nesse bairro ainda!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009


Pra ser eterno
Basta pro besta a bosta de um busto
e tenho dito!

Adão E Eva


Após comerem do fruto
e discutirem com Deus por longos minutos
Adão e Eva pegaram os dentes de uma cobra morta
e no tronco da mais bela árvore
trocaram a primeira jura de amor
e foi assim que nasceu a história da humanidade
como a conhecemos atualmente.