terça-feira, 31 de agosto de 2010

riso e choro: ouro


rio 
quando oro 
e
quando choro
é
mar de ouro

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

passarinho branco
hino ao ano que passa
voando voando
na manhã ninguém
movimenta o vento e vê
o zen, ninguém

meretriz de luxo
aberto o livro da vida
caro é o custo
@b
usado
è/o-
u
sado
ar e poesia: cais e opera

Amor líquido


Engolido pela grande cidade, com seus trabalhos e sua rotina de concreto, transformado em água ele flui. Como os carros que nas tardes de domingo passam, na mesma velocidade deste dia .
Como os homens, de fato ou de molho, molha de noite e seca de dia, e na manhã seguinte, resta lembrado por todos e por ninguém como ser da falta de sua humanumidade, ou
Umidade relativa.
Enquanto isso nos seus outros cantos e ralos, a cidade vai seguindo seu amoricídio. Concretando sua realidade dura, atrasando os dias com seus carros parados, e afogando os suspiros de seus filhos com sua falta de ar e de água de cada dia.
Seca as águas e as almas, para que acreditem cada vez menos que a vida em outro lugar seja possível.
E tudo passa... como o rio passa... como a água passa...
como a noite passada em claro, destraído com aquele amor raro e rotineiro, em mais uma noite, deitado ao seu lado na cama!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

páginas abertas
pássaro que alça vôo
ou mulher na certa

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

mulher amiga
melhor
da minha vida
Do pé, inda largo
da batata, perna linda
dessa coxa finda
apagada a luz
pede pelo meu o seu
corpo belo e nu
eu, frei Damião
caminho co' a multidão
somos corpos mortos

quarta-feira, 11 de agosto de 2010


Um aperto n' alma
amanhã estou melhor
a manhã acalma

terça-feira, 10 de agosto de 2010


devoro-te
e
decifra-me

decifro-te
e
devora-me

Encontros e despedidas


A menina de unhas amarelas me olhou, pedindo sinal, e eu dei. A de unhas rosa-cintilante me olhava tanto que eu nem vi. O ônibus parou. A porta se abriu. E as unhas amarelas deixaram o ônibus... Assim, num átimo. Pra nunca mais. Só ouvi uma voz rouca saindo de uma cara de lua cheia que dizia "mais bom gosto, Luciana, por favor, mais bom gosto!". E o rosa das unhas já não cintilava tanto, os olhos ficaram é cheios de graça. E agora... era eu que cintilava por aquela menina.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010


Devora-me
ou um dia
te decifro

meu heterônimo
é um et homônimo
que tomou éter

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Eu te amo (Geniais Tom e Chico)


"se juntos já jogamos tudo fora
me conta agora como hei de partir"...

"se nós nas travessuras das noites eternas
já confundimos tanto as nossas pernas
diz com que pernas eu devo seguir"

"se na bagunça do seu coração meu sangue errou de veia e se perdeu"

"como? se na desordem do armário embutido
meu paletó enlaça teu vestido
e o meu sapato ainda pisa no teu"

"se nos amamos feito dois pagãos
teus seios inda estão em minhas mãos
me explica com que cara eu vou sair"

"te dei meus olhos pra tomares conta
agora conta como hei de partir"

Exdrúxulo a noite
és tu pio do homem
de bruços no açoite

... herdarão o reino dos céus.


Que bonito de ver o povo unido em torno de um homem que fala forte, palavras duras, mas boas da gente escutar. Noite passada ele falava do surdo, na outra falou do cego... Acho que hoje ele fala de mim: A história de um homem não crente, que nunca viu um milagre, mas que ainda assim encontrava Beleza em tudo que era simplesmente belo, e por isso acabou por herdar o reino dos céus, ao chegar no céu recebeu das mãos do próprio Deus os anjos, os santos, e todos os seus grandes feitos, todos eles empacotados e embrulhados em papel bíblia.

Espere sentado...


Um homem numa cadeira diz:
- Sentado, espero pela morte.
Entra a morte com uma arma e diz:
- E eu, em pé, estava cansada de esperar!

Mas vale um na mão...


Na loja, ela pede pra ver um sabiá. Tirando-o da gaiola o homem diz:
- 200.
Dois fogem e ela diz:
- E estes?
E ele:
- Não valem um tostão!