sábado, 27 de agosto de 2011

Desencontro

 
Sentiu saudades, foi morar no Ceará
Voltou pra casa pra matar o mal de Amor
Foi afastado em uma sala de escritório
Ficou zangado em um playground por brincar
Entediou-se da falar diversas línguas
Na solitária de com os outros conversar
Foi morar longe bem no centro da cidade
Com mal da idade da balada fez um lar
Juntou dinheiro endividado pela praça
Fez um empréstimo com zero no cartão
Comprou de tudo que não tinha no mercado
Ficou pelado de roupão e sobretudo
Xingou o mundo com as rezas de maínha
Ave-maria ele bradou pro inimigo
Mostrou o umbigo se mostrando muito macho
Ficou por baixo pra mostrar que era capaz
Virou casaca indo torcer pro mesmo time

Morreu de gripe de tanto tomar cachaça
Pagou de graça
Recebeu o que devia

Mas a Maria que queria não vai ter.
Porque mulher quando não quer é coisa rara
E quando é ele que não quer normal se passa.













domingo, 10 de julho de 2011



Devoro-te e decifra-me
Decifro-te e devora-me
decifrovoro-te-me
Chora a chuva
e derruba
na gota mais profunda
a dor-joaninha
de uma ponta de ilusão

passa a folha
passa a flor
passa amor
e passa

sem expectador
sem despertar dor
sem esperar
e cai
como se ainda pudesse
e como se ainda quisesse
se sentir assim
sem chão

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ser Ode Dores?


AMOR
HUMOR

Sem
bem
nem


com
bom

bons
tons

bons
sons
suores
sem dores
ser ódio
ser amar
ser o mar
amores

domingo, 13 de março de 2011

Real abandonado

O idiota bebeu o whisky, fumou o cigarro, bebeu outro whisky e quando viu que ia passar da conta, foi pra casa. Pediu pizza e ficou assistindo qualquer talkshow  de televisão, pois a mulher dos seus sonhos o largara com um ramalhete de flores e um pote, cheio de esperanças de amor eterno, em um bar esquecido da noite de Nova York.

Esqueceu-se o idiota de que o pote de esperanças é um prato raso e vazio para mulheres fortes; que as mulheres quando gostam, não gostam das esperanças guardadas em palavras e gestos, ou em um coração juvenil apaixonado. Mulheres amam a frieza, as convicções e o sexo. O sexo do sexo oposto. Nenhuma demonstração de amor que seja muito verdadeira ou infantil lhes satifaz. O amor, pra mulher que sabe, tem que ser algo que pisa, algo que é muitas vezes sério e que vê o mundo pela ótica do material; que sabe enganá-la sem enganar, posto que engana na cama, na hora em que está disposta a receber qualquer mentira por verdade, visto que aquele é o único momento em que se sente única, adorada, amada de fato; que não é vítima das mentiras banais contadas pelos homens cotidianos, pois aquele que neste momento mente com palavras, esta lhe dizendo milhões de verdades através dos toques sutis e da força de seus braços que a envolvem de maneira singular e pura, pois é expressão de desejos compartilhados, é gozo sem falsidades. Com os olhos de quem sabe amarrar os próprios sapatos o homem que na nesta noite lhe fez as juras mais absurdas de amor, vai embora, e talvez nem lembre que ela (como ser complexo e cheio de desejos) um dia existiu. Porém nada disso importa. Os dois gozaram o momento, e gozaram juntos. Ela vai lembrar-se daquele homem eternamente e sonhará com ele todas as noites, pensando que ele poderia ser , quem sabe,  o homem da sua vida. 

O jovem paspalho, que a esperou por horas na mesa de um bar, sonha do mesmo jeito, os mesmos sonhos com relação a ela, porém sem nunca a ter penetrado nos sonhos. Chora e se desafoga cercado de pedaços de pizzas, anchovas, lágrimas e metades de seu coração juvenil espalhados pelo chão, amargurado pela sua incapacidade de julgar, aquilo que deveras parecia ser tão óbvio!